segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Mais desinformação.

Nós, brasileiros, estamos sendo abençoados com mais dois exemplos de extrema hipocrisia na tv, produzidos por nossos amigos – e inocentes de tudo – estadunidenses e suas ONGs, além daquele estrelado pelo Indiana Jones, ao qualjá me referi antes.

Nesses dois comerciais, “aprendemos” alguns fatos bem interessantes. em um deles, como se fôssemos criancinhas de jardim de infância, somos informados do risco que o ser humano – leia-se os chineses, exclusivamente – representa para os pandas.

Sim, para os pandas. E somente eles, claro. Talvez eles tenham alguma coisa especial que os separe das incontáveis espécies que estão sendo ameaçadas de extinção pelo planeta, além do fato de estarem em território chinês. Eu, infelizmente, desconheço a razão desse privilégio.

Muito menos a razão pela qual o nojento comercial faz umaligação entre o risco para os pandas e o aquecimento global. Será o caso dos Pandas o único no qual o desforestamento está ameaçando uma espécie e contribuindo para o aquecimento global.

Também não sei a razão pela qual o mesmo usa expressões como “defender o que todos chamamos de casa”. Parece que os estadunidenses estão mais preocupados com o destino das espécies fora de seu território do que com as que nele habitam – quer dizer, aquelas que eles não conseguiram exterminar ainda.

No outro comercial, bancado por um poderoso grupo econômico, diga-se de passagem, nossos amigos nos “ensinam” como o desmatamento e as queimadas são os maiores contribuintes para o aquecimento global, emitindo extraordinários 38% dos gases responsáveis por ele, o equivalente ao que os EUA e a China emitem.

A desfaçatez desses supostos “salvadores do mundo” em usar uma retórica ridícula, distorcendo os fatos e escamoteando a verdade em meio a palavras cuidadosamente escolhidas é assombrosa.

Os EUA emitem, sozinhos, 25% de todos os gases de efeito estufa. Isso quer dizer, segundo o própprio comercial, que a China emite 13% desses gases. Então por que deveria eu e você nos ocuparmos em acabar com a queimada e o desmatamento nos 200 e tantos países do mundo, cada um deles responsável apenas por uma pequena fração daqueles 38%, enquanto os EUA continuam a emitir os mesmo 25%?

O próprio comercial se demonstra uma estupidez. É muito mais importante e premente reduzir o uso de combustível fóssil do que o desmatamento. Só não é mais importante para eles, os EUA, que seriam os mais afetados.

Não é outra a razão pela qual estão nos bombardeando com esse comerciais ridículos. Querem que nospreocupemos em reduzir a nossa contribuição para o efeito estufa, enquanto eles se esbaldam. E isso sem falar no fato de que os países desenvolvidos, especialmente os EUA, são os maiores responsáveis históricos pelo problema, tendo trocado a destruição do meio ambiente por progresso.

E agora querem que nós paguemos a conta.Mais que isso, estão responsabilizando a todos por algo que eles, sozinhos, criaram, e tentando nos convencer a não apenas nos culpar, mas nos punir.

aliás, esses comerciais são produzidos para o público estadunidense. Ou seja, estão desinformando sua própria população de que o verdadeiro culpado é o resto do mundo, e que cabe a eles fazer alguma coisa, pois estão sendo “feridos” pelos “inimigos dos pandas e das florestas”.

Nem uma palavrinha desses canalhas de que boa parte do desmatamento é feito por empresas estrangeiras e nacionais, buscando exportar madeira exatamente para o mercado consumidor que mais desperdiça recursos e destrói o ambiente: o deles.

O fato de que com a redução do desmatamento, osinteresses estadunidenses estão assegurados. Empresas farmaceuticas enfurnadas na Amazônia para patentear o genoma de nossos seres vivos e lucrar com eles, o petróleo e metais preciosos escondidos na floresta, etc estarão devidamente protegidos da ganância dos selvagens, seguras para a futura exploração por aqueles para quem Deus criou o mundo em primeiro lugar.

Cada vez que vejo esses comerciais fico doente. É hipocrisia demais, é estupidez demais de quem permite que esse lixo seja transmitido aqui, contra nossos próprios interesses. E o pior é ver esses canalhas usarem algo tão sério quanto o aquecimento global para atingir seus objetivos mesquinhos.

Fossem honestos e expusessem a verdade como ela é, eu estaria aplaudindo de pé. Mas não é nenhuma iniciativa para proteger o planeta de uma era de destruição iminente, mas apenas uma forma de culpar todos por algo que eles mesmos criaram. E isso sem contar que estão estabelecendo a fundação para um futuro conflito contra os “inimigos dos pandas, das florestas, do clima e, acima de tudo, dos EUA”.

sábado, 16 de janeiro de 2010

O Monstro da censura contra o ogre da hipocrisia

É incrível como as agências de publicidade acham que somos todos completos imbecis. Bom, isso não é novidade, mas o novo comercial sobre o tal “monstro da censura”, é.

Como sempre, é uma das organizações de donos de jornais defendendo seu “direito” de publicar o que quer que seja, sem nenhuma responsabilidade pelos danos que causar, claro. Nada de novo sob o Sol.

Pra quem não o viu ainda, o comercial mostra uma prisão onde os “maiores vilões da humanidade” são executados – vírus, monsttros das profundezas, etc –, mas que guarda, vivo, o “pior deles”, a censura.

Só que as digitais desse “monstro” não batem com as do verdadeiro monstro.

O verdadeiro ataca a liberdade de expressão de todos, e não apenas a dos donos dos jornais e seus empregados.

Não, o verdadeiro monstro está vivo e solto. Ele apenas fez um acordo com seus supostos algozes para trabalhar para eles. Foi domesticado e transformado em um dos instumentos dos donos da prisão. Hoje, ele trabalha sob o alias de “bom senso”, “moderador”, “editor” em blogs e redações, passando boa parte do tempo na seção de cartas dos leitores.

O que está preso não é nenhum monstro, mas sim a responsabilidade da imprensa, completamente removida da sociedade. E a imprensa não vê a hora de executá-la e colocar se ver livre dela de uma vez por todas.

É evidente que a tal “prisão” é a própria imprensa, o que coloca a auto-imagem deles em foco. É incrível que eles se achem os “executores” dos maiores “vilões”. Aliás, executores, juízes e jurados.

A menção aos “vírus” chega a beirar a esquizofrenia, uma vez que eles foram responsáveis por diversas mortes por vacinação desnecessária contra a febre amarela, no ano passado.

Os “maiores vilões” não passa de uma arbitrariedade da imprensa. Em um dia, o corrupto passa a ser herói respeitado, a vacina, instrumento de morte, a tortura, procedimento padrão. A imprensa não tem valores para julgar os outros. Tudo o que ela tem é a própria conveniência, e a capacidade de enganar os incautos.

E a cara depau de fazer comerciais para se proteger do mesmo que ela mesma usa contra os outros.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O “professor” Casoy e a meritocracia

Meritocracia nada mais é do que a noção de que cada um deve ser recompensado na medida de seus méritos, ou de suas qualidades, seus feitos, sua importância.

A princípio, é um conceito irresistível. Afinal, é exatamente assim que ocorre na natureza. O mais fote, ágil e feroz consegue comida. O mais fraco, o desamparado morre de forme, e a espécie sobrevive e melhora. Pura seleção natural.

E a natureza não pode estar errada, não é mesmo? Se algo funciona naturalmente, e a milhões ou bilhões de anos, que direito temos nós de mudar, de usar nossa razão para buscar algo que funcione melhor? Façamos o que fazemos melhor: copiar. E aceitemos o resultado como “natural” ou a “vontade divina”, caso você queira substituir “natureza” por “Deus”, e “seleção natural” por “criacionismo”.

Assim, se a natureza criou o “macho alfa” e,comisso, lhe garantiu um lugar de destaque no grupo, fazer diferente em nossa sociedade seria agir anti-naturalmente, não é mesmo? Devemos, portanto, dar aos que se destacam por suas qualidades o melhor, ou permitir que conquistem o que desejarem por suas próprias forças.

Não há mais o que dizer sobre a tal meritocracia. É apenas e tão somente um atestado de que ainda somos animais, e agimos como menos do que animais, pois a mesma natureza que serve como desculpa para permitirmos o domínio do “macho alfa” nos dotou da capacidade de sairmos desse círculo vicioso e agirmos diferente, e nós não apenas recusamos a oportunidade, mas jogamos a bênção da natureza no lixo, cafurdando na mesma atitude, nos mesmos hábitos, nos mesmos instintos.

E veja bem onde esses instintos nos levaram: guerras mundiais, armas nucleares, violência sem sentido, balas perdidas, estupros, medo, chantagens, armas químicas e biológicas, terrorismo, imperialismo, etc.

Tudo isso perfeitamente “natural”. A imposição da vontade dos “mais adaptados” aos “menos adaptados”. A satisfação dos desejos dos mais poderosos, a competição para ser o “macho alfa”, mesmo que seja apenas de uma pequena boca de fumo.

E isso nos leva a Bóris Casoy e sua “frase infeliz”. Há um excelente texto sobre ele neste endereço, cuja leitura recomendo.

O “professor”, que insiste em julgar e nos ensinar o que é “uma vergonha”, do alto de sua arrogante fachada politicamente correta, apenas realmente nos ensinou algo inadvertidamente, com um acidente, um ato falho.

Ele nos ensinou o quão arragaigada a meritocracia está em nossa sociedade. Melhor ainda, ele nos ensinou que ela é apenas o reflexo de gente que acredita firmemente que o trabalho braçal não nos qualifica sequer para desejar um feliz ano novo aos “superiores”.

É uma crença atada aos próprios alicerces de nossa sociedade, que recompensa o trabalho intelectual de forma desproporcional. Que, em última instância, presume que o trabalho intelectual, que os 10% de inspiração são mais importantes do que os 90% de transpiração, e merecem 90% das recompensas.

Casoy não pediu desculpas por sua crença , por sua certeza, por pensar que os garis são “o mais baixo posto de trabalho” e que seus desejos de feliz ano novo nada valiam por causa disso. ele pediu desculpas por sua “frase infeliz” ter sido transmitida ao vivo para milhões de pessoas.

Ele nada mais fez do que desnudar vários fatos. Dentre eles, o mais importante: nossa sociedade, refletida nele, não pede desculpas por marginalizar o trabalho braçal, e nem sente vergonha disso. Mas teme – e como teme – que isso se torne evidente e público. Teme que o descuido de um fiel seguidor desnude a abominação que é sua crença, e cause o colapso daquilo que garante aos poderosos a manutenção de seu poder, a justificativa dele.

Se Bóris e aqueles que ele representa não sentissem vergonha de acreditarem nessa abominação, a defenderiam. Mas, ao contrário, a renegam, não por vergonha, mas por medo das consequências, medo de não mais serem reconhecidos como “superiores”. Medo de perder a posição de “macho alfa”.

O pedido de desculpas de Casoy é ainda mais importante do que sua “frase infeliz”. É ele que revela sua falta de vergonha de acreditar no que acredita, e de pedir desculpas por acreditar, mas não deixar de fazê-lo. Não é a crença dele que está errada e o aflige, mas sim o fato dela ter se tornado pública e “injuriado” outrem. É um testamento de que, se lhe fosse permitido falar abertamente, se não lhe fosse proibido ofender os outros, ele abertamente defenderia seu ponto de vista de que garis nada valem, e cuspiria em seus desejos por um feliz ano novo todos os dias.

Esse é o Bóris Casoy. E esta é a elite que ele representa. A mesma elite que joga ovos da janela de seus apartamente para atingir os pobres. Os mesmos que depois aparecem em festas beneméritas para fingir uma preocupação que não têm e lucrar com essa falsa imagem.

Hipocrisia dá lucro. É um excelente investimento, e a elite sabe muito bem disso. Dão migalhas com uma mão, enquanto a outra atira ovos. No mesmo fôlego em que professam sua compaixão pelos menos afortunados, reafirmam-se dizendo que eles merecem se ferrar pois são “vagabundos”.

Quem acredita na meritocracia não tem pena dos menos afortunados. Tudo o que sentem é culpa e o que vêem é uma oportunidade de explorá-los.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Extrema hipocrisia

Estão passando um comercial na tv por assinatura com o Harrison Ford, falando da mudança do clima causado pelo desmatamento.

Primeiro, o raio do comercial é em inglês (mas quem é que liga, né? Afinal, somos ou não somos umacolônia estadunidense?). Segundo, é evidentemente dirigido aos estadunidenses (o babaca diz que cada árvore que é derrubada “lá” – ou seja, na terra dos macacos –, “nos” afeta “aqui”).

Nem uma palavrinha sobre o desmatamento DELES – que destruíram mais de 80% de sua floresta nativa, enquanto nós ainda temos uns 60% –, ou sobre o consumo de petróleo e queima de carvão. Não, é apenas uma tentativa de “educar” os estadunidenses – e os palhaços daqui que permitem que algo direcionado aos trouxas de lá seja transmitido aos trouxas daqui – sobre de quem é realmente a culpa pelo desastre ambiental que se avizinha – como sempre, são os “subdesenvolvidos”.

É algo evidentemente confrontacional. Apenas diz que os “selvagens” estão derrubando árvores e prejudicando os “donos do mundo”. E justamente no momento em que uma das maiores fontes de petróleo do mundo começa a ser explorado pelos “selvagens”.

Coincidência? Não, é exatamente o mesmo que fizeram e ainda fazem com o mundo árabe: desumanizar. Não são “árabes”, mas “fanáticos religiosos”, assim como não somos “sul-americanos”, mas “derrubadores de árvores”. Além de jogarem a culpa pela canalhice que os “donos do mundo” fizeram e ainda fazem com a Terra nos “subdesenvolvidos malvados que odeiam florestas e causam a mudança no clima”, ainda fabricam o germe de um conflito futuro.

Os EUA tem a tendência patológica de se acharem os donos da verdade. Adoram dar “lições de moral” a todos, enquanto escondem as canalhices que fazem. E adoram mais ainda pintar todos que não gostam nem um pouco dessa mania ridícula deles de “anti-americanos”.

E tem muito imbecil por aqui que adota essa idéia. Os mesmos que não vêem nada de errado em um comercial confrontacional e canalha dirigido aos público estadunidense, eivado de preconceitos estadunidenses e falado em inglês ser transmitido aqui todos os dias. Esses vão aplaudir, se unir ao tal “movimento” e me chamar de “xenófobo” e “anti-americano”, enquanto culpam os “selvagens” daqui de causar o aquecimento global.

Durante alguns anos, tudo o que os EUA faziam era negar a possibilidade de um aquecimento global. Depois que se tornou impossível negar o fenômeno, negaram que fosse causado por ações humanas. Agora, estão simplesmente culpando todos exceto eles mesmos. Até as vacas já foram apontadas como “grandes responsáveis”! Agora somos nós, os “selvagens subdesenvolvidos”.

Quase tão hipócrita é o comercial contra o tal projeto de lei que obriga as empresas de tv por assinatura a incluirem um número mínimo de canais nacionais. No final,o apresentador, com aquela cara de sério, conta a maior piada da tv por assinatura, e diz: “exija sua liberdade!”

Isso depois de dizer para falarmos a nossos representantes que “pagamos e temos o direito de escolher nossos canais por assinatura” – só queria saber quando foi que as empresas de tv a cabo que pagaram esse comercial (e o ridículo site do “movimento”) respeitaram esse direito. Nunca consegui escolher os canais que eu quero no meu pacote de programação: ou pego os canais que ELES escolheram junto com os que eu quero assistir, ou nada feito.

E isso sem falar no quanto esses canais simplesmente desrespeitam o Código de Defesa do Consumidor ao aumentar descaradamente o volume das propagandas, e esses “defensores da nossa liberdade”, esses senhores que agora exigem respeito aos nossos direitos jamais mexeram uma palha pra reclamar desses “detalhes”.

Só reclamam agora, pois eles serão afetados – aliás, já estão fazendo a chantagem de sempre: “teremos que reduzir o número de canais” e “aumentar o preço”, o que é mentira, já que é um dos negócios mais lucrativos do Brasil, e o custo de produção de programas nacionais representa apenas uma pequena fração.

Então entre um Indiana jones dizendo que somos os culpados pelo aquecimento global, ousando atingir os estadunidenses com cada árvore cortada, e as empresas de tv paga dizendo que estão “defendendo os direitos dos consumidores”, o meu fígado está em frangalhos. É muita hipocrisia, muita canalhice desses caras de pau.

E tem trouxa que concorda com eles. Mas preferem que os chamemos de “suckers”. Ou “losers”, que é tão estadunidense quanto a torta de maçã que eles adoram.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Surreal

Não há outra palavra para descrever o que vi ontem no linha de passe da ESPN. Em um determinado momento, PVC disse ter perdido a vergonha de dizer que o campeonato brasileiro, além de ser bom e “histórico”, apresenta bom futebol, comparável e até melhor do que a maioria dos campeonatos europeus.
Calçade expressou sua opinião de que a mesma “crônica esportiva” não deveria desencorajar os novos torcedores ao criticar com muita veemência o futebol apresentado pelas equipes, reduzindo, de alguma forma, a emoção desse novo torcedor.
Calazans disse que, em sua opinião, se a crítica esportiva não disser que o futebol apresentado é ruim, estará “ensinando errado” esse novo torcedor.
Finalmente, Márcio Guedes, achando falar com a voz da sabedoria e bom senso, afirmou que o torcedor é inteligente o suficiente para discordar dos críticos e ter sua própria opinião.
Cada um deles deixou evidente como enxerga sua profissão. PVC simplesmente admitiu ter vergonha de expressar sua própria opinião, se não não a teria “perdido” apenas agora, faltando duas rodadas para o fim do campeonato.
Calçade diagnosticou corretamente os efeitos que a imprensa tem – o que já é muito mais do que ele costuma acertar –, mas sugeriu que esse “poder” fosse usado “para o bem”, ou seja, ele acertou ao dizer que a imprensa dirige a opinião dos leitores, ouvintes e telespectadores mas, ao mesmo tempo, deixou implícito que esse efeito é, mais do que apenas aceitável ou factual, mas um poder a ser exercido pela imprensa.
Calazans deixou claro que se enxerga como um “professor”, e que cabe à imprensa “ensinar” o que é “correto”, o que é bastante irônico em face da forma desdenhosa com a qual ele se refere a técnicos, chamando-os de “professores-doutores”.
Finalmente, Márcio Guedes deixa clara sua tendência liberal, incluindo a mania dos que professam essa ideologia de repetirem fases feitas acriticamente.
Claro, para ser possível concluir que cabe à imprensa ensinar, manipular, seguir a opinião hegemônica ou escolher “perder a vergonha” ou mesmo emitir a opinião pessoal e deixar os leitores decidirem por eles mesmos se concordam ou não, é preciso aceitar uma premissa: a de que a opinião pessoal do “crítico” é importante o suficiente para tanto.
Já comentei como esses “comentaristas” acham que suas opiniões pessoais são tão importantes que é obrigação deles “concedê-las” aos meros mortais que, sem elas, ão teriam opiniões. Esses “comentaristas” são apaixonados pela própria voz, e se acham a útima bolacha do pacote. Mais uma vez, eles deixaram isso bem claro.
Nem vou entrar em maiores detalhes sobre como cada visão expressa por esses “jornalistas” é estupidamente errada. Basta dizer que não cabe à imprensa ensinar, manipular, repetir opiniões de outros “jornalistas” ou apenas expressar a própria. Cabe à imprensa informar, e aos comentaristas, como parte da imprensa, cabe comentar, ou seja, fornecer detalhes, dados relevantes, opinões diversas – e isso não é, de nenhuma forma, sinônio de “opinar”.
Mas quero dedicar o finalzinho desse post para dizer ao Márcio Guedes que, ao contrário do que repetem os liberais de plantão, inteligência não basta para concordar ou discordar da opinião de alguém. É preciso informação em primeiro lugar.
Inteligência sem informação para ser manipulada por ela nada significa, nada adianta. E é por a imprensa se furtar a cumprir sua função de informar que seus “comentaristas” acabam tendo o poder de manipular os leitores. Se à inteligência se somasse a informação, Márcio Guedes teria razão mas, ao mesmo tempo, aquela discussão nem mesmo existiria, pois todos os envolvidos estariam trabalhando em outras coisas.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Enquanto isso, na Alemanha…

Na terra do chopp, que todos aclamam como exemplo de organização e lisura no futebol – muito embora não aclamem o futebol em si –, eis que uns malucos, que seriam acusados de “teoristas da conspiração” pelos paus-mandados da impressinha pátria, investigaram um punhado de pessoas envolvidas na manipulação de “” uns 200 jogos, incluindo jogos da “maravilhosa” “copa dos campeões”.

É um prato cheio. Enquanto a impressinha diz que aqui não há conspiração, e não apenas dêem de ombros a qualquer sugestão em contrário, mas os ofendam e ridicularizem, mesmo depois de Edilson, os “teóricos” alemães arrebentam com suas certezas ao demonstrar que lá, na adorada, prestigiada e lídima Europa, que a impressinha sempre avança como modelo a ser seguido, com profissionalização de árbitros, clubes-empresas, etc, etc, etc, a bagunça é tão grande quanto aqui!

A grande diferença, ó imprenssinha brazuca canalha, é que lá eles fazem mais bem feito, e não com erros crassos, explícitos, claros de arbitagem. Aqui, eles não se preocupam com esses detalhes, pois podem contar com a imprenssinha a esconder seus esquemas.

Não precisou um Simon tungar um grande clube e dar o canecopara outro, na cara dura, pra investigarem por lá. Aqui, com uma imprenssinha que passa a mão na cabeça dos árbitros, e os defendem até a morte de qualquer acusação de favorecimento doloso, todo e qualquer esquema está devidamente blindado e é imediatamente descartado da forma mais simples, direta e ridícula possível: “é coisa de maluco”.

Mas os malucos de lá mostram que as “certezas” da imprenssinha - sempre apressada e presteira em dizer que não há nada para se desconfiar, ou que esses erros não decidem o campeonato, ou que todos são igualmente beneficiados e prejudicados, ou qualquer outra das muitas desculpas esfarrapadas que sempre dão - estão todas furadas.

E mais, que a certeza, a veemência, a presteza com a qual a imprenssinha afasta, de início, por definição e sem qualquer prova, toda e qualquer mera possibilidade de existência de esquemas é, na verdade, uma confissão de conivência.

Afinal, a única conclusão razoável é a de que não existem provas de existência de um esquema, mas apenas indícios que, como todo indício, pode estar completamente errado,mas pode estar correto.

Mas é completamente irracional dizer que não há, definitivamente, esquema algum, e toda sugestão é mera “teoria conspiratória”, ficção, mania de perseguição, coisa de torcedor.

A única conclusão possível é que não se sabe se existe ou não esquema, pois ninguém investiga – inclusive a imprenssinha. É evidente a razão pela qual a imprenssinha não diz isso. Seria uma confissão de incompetência, de desídia, de conivência. E isso a imprensa, nao apenas a imprenssinha esportiva, jamais admite sequer sugerir.

Os malucos alemães estão curando o próprio futebol. Nós, ao contrário, o sacrificamos para salvar a doença. Até o dia em que alguma boa alma extremamente corajosa, se dispuser a investigar e provar a existência desse esquema. Aí então, restará à imprenssinha, em ordem de prioridade:

1. Assassinar o caráter do investigador, como fizeram com Protógenes para salvar Dantas;

2. Descaracterizar o esquema, dizendo que é apenas um caso “único”, exclusivo daquele campeonato; ou

3. Declarar-se-á indignada, e dir-se-á sempre combativa e alerta contra esse tipo de esquema e, mais tarde, que fora responsável pela investigação e, finalmente, se declarará merecedora de todos os louros.

Mas continuará a ser conivente, e defenderá até a morte que não existe esquema, e que os erros de arbitragem são apenas erros, etc, etc, etc.

Exatamente como fizeram antes, durante e depois de 2005.

Quem quer apostar que não demorará muito até que os representantes da boa e velha imprenssinha esqueçam do fato? Aliás, até agora, não ouvi sequer uma menção a ele… Será que não é um fato jornalístico?

E quem quer apostar que, quando forem forçados a comentar o fato, dirão que aqueles que sugerem que se há esse tipo de coisa na Europa, ele deve haver no brasil estão errados, e não passam de torcedores, cujos argumentos nada valem por serem passionais (acabei de ouvir o babaca do Calçade falar isso na ESPN, em um dos mais evidentes e ridículos argumentum ad hominem que já vi na tv)?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O tiro de misericórdia

Pouquíssimos fatos se devem a uma única causa. A imensa maioria se deve a mais de uma causa, que concorrentem para ele.

Existem causas necessárias, aquelas sem as quais determinado fato não ocorreria, a despeito de outras. Existem causas suficientes, aquelas que bastam para que o fato ocorra, apesar de outras.  Existem causas aparentes, aquelas que nem causas são, pois o fato ocorreria apesar ou a despeito delas.

E existem causas concorrentes, aquelas que, isoladas, não causariam o fato.

Esses conceitos são básicos. Ao investigar a causa de um fato, é preciso entender a diferença entre eles. Esgrimar uma causa aparente como se fosse necessária é uma evidente falácia lógica.

Da mesma forma, é uma falácia ignorar a existência de causas concorrentes, apontando apenas uma ou outra como necessária e suficiente para a existência do fato.

Digamos que alguém atire na cabeça de uma pessoa que esteja envenenada, e que morreria em grande agonia. Digamos que seja correto presumir que a morte ocorreria com ou sem o tiro de misericórdia. Seria correto concluir que o tiro de misericórdia não foi a causa da morte?

Evidentemente que não. A morte pelo envenenamento jamais ocorreu, mesmo que fosse 100% certo de que ocorreria sem o tiro de misericórdia. Essa morte e a morte pelo tiro são dois eventos, dois fatos, diferentes e excludentes. E um deles, a morte pelo envenenamento, jamais ocorreu.

Ou seja, o fato é que a pessoa foi morta pelo tiro de misericórdia, e não pelo veneno, que foi impedido de causar a morte pelo tiro.

Porém, é verdade que existe um nexo causal entre o envenenamento e o tiro de misericórdia – que supostamente não ocorreria se a pessoa não estivesse envenenada. Mas não é uma causa suficiente, pois depende de outra: a vontade de quem disparou o tiro.

É, todavia, uma causa necessária e concorrente, pois sem ela e a misericórdia do atirador, o tiro não ocorreria e, por consequência, a morte pelo tiro. O envenenamento é, pois, uma causa concorrente, necessária e mediata da morte. Foi necessária, mas não seria suficiente para causar a morte pelo tiro, muito embora pudesse ter sido uma causa suficiente para causar a morte pelo envenenamento.

Ou seja, quando estamos analisando fatos, não importa o que poderia ter ocorrido. O que importa é o que efetivamente ocorreu. O que importa são os fatos, e não as suposições, as probabilidades, as possibilidades.

As causas de um fato não se alteram em razão do que poderia ter ocorrido.

É exatamente por essa razão que não é possível dizer que os erros de arbitragem não alteram o campeonato de pontos corridos ou que o Palmeiras não perdeu o título em razão de erros de arbitragem. Não interessa se alguém diz que o campeonato seria o mesmo se os erros não ocorreriam, ou que o Palmeiras perderia o título, com ou sem o Simon.

Essas são meras opiniões, mera futurologia do passado, e são irrelevantes. O fato, incontestável, é que o falecido campeonato brasileiro é o que é em razão desses erros. E o Palmeiras perdeu o título em razão dos muitos erros de arbitragem, além de sua própria incompetência.

Se a incompetência, sozinha, poderia causar um resultado similar é irrelevante, o fato é que esse resultado, diferente daquele que poderia vir a ser, não foi causado por ela sozinha. Ela é o veneno de nosso exemplo: uma causa concorrente, necessária e mediata.

A causa concorrente, necessária e imediata, o tiro de misericórdia, foi a tunga do Simon. Sem ele, a morte seria bem diferente, e poderia nem mesmo ocorrer – coisa que nunca saberemos.

Enfim, é uma falácia afastar os erros de arbitragem como causas do resultado final do campeonato, ou a queda palmeirense. Estou de saco cheio de ouvir os “comentaristas” de plantão tentando me convencer a não prestar atenção no homem atrás da cortina, de ouví-los tentar afastar uma causa concorrente evidente com a qual eles são coniventes.

E estou mais cansado ainda de ouví-los sugerir que reconhecer uma causa necessária é o mesmo que excluir a outra, como se a diretoria, o técnico, os jogadores e a torcida do Palmeiras negasse o péssimo futebol das últimas rodadas, e só apontasse para os erros dos outros, e não os próprios.

É mentira, daquelas que só a impressinha tem a cara de pau de repetir até convencer os incauos de que é verdade. Todos reconheceram que uma das causas dos péssimos resultados foi o mal futebol apresentado. Quando é que a impressinha vai reconhecer que os erros foram a outra causa, tão importante quanto?

Apenas quando ela deixar de ser bancada pelo marketing do SPFC.

Obituário do Brasileirão

Ontem, 18 de novembro de 2009, faleceu, em pleno estádio olímpico, o campeonato brasileiro, vítima de longa doença contra a qual lutava por três anos.
Deixou esposa e filhos, sedentos por justiça.
Vegetando por três anos, chegou a ser ressucitado duas vezes. Finalmente, o falecido foi desenganado na 34a. rodada de sua terceira temporada de padecimento, vindo a falecer duas rodadas depois. Os médicos lamentam que seus esforços não tenham surtido efeito, e que jamais tenham sido capazes de diagnosticar a doença.
A família, porém, acusa o hospital e seus donos – entre os quais um dos herdeiros do falecido - de homicídio. Afirmam que o falecido era portador de “apito rosa”, uma doença facilmente curável, mas os médicos do hospital “imprenssinha marrom” se recusaram a diagnosticá-la e aplicar o tratamento correto, mantendo o paciente vivo com ajuda de aparelhos, auferindo lucro com as altas taxas que cobravam. Administravam-lhe placebo, em vez de remédios, rodada após rodada, para esconder a doença e impedir a recuperação.
Ademais, deixa o falecido valioso espólio, envolto em controvérsia. A maioria dos filhos acusa um dos mais novos de ter forjado um testamento, nos últimos dias de vida do falecido, que beneficia a ele e ao hospital do qual é dono, deserdando os demais.
Argumentam que o falecido se encontrava em estado vegetativo, incapaz de expressar sua vontade em testamento.
O herdeiro favorecido se defende, acusando os demais de “chororô”, acompanhado pelos médicos do hospital, que já preparou o atestado de óbito.
Os herdeiros preparam-se para levar a causa à Justiça, mas não demonstram muita esperança, uma vez que o Tribunal já deixou claro que não quer nem saber, e tem raiva de quem sabe.

Mega operação rosa

Nesse ano, dá pra escolher várias opções do que revolta mais.
Os gols anulados do Obina.
O assalto do Simon.
A mega-operação no jogo com o Grêmio, um jogo que foi vergonhosamente adiantado para satisfazer um dos membros da impressinha, e impediu o Verdão de entrar em campo completo. Terceiro jogo do Verdão adiantado.
As 8 ajudas da arbitragem rosa ao time da impressinha rosinha.
A imprensa vendida, comprometida com o time pó de arroz, que ainda enchem a boca para dizer que o STJD prejudicou “absurdamente” o SP.
A imbecilidade de dois jogadores.
Nem vou comentar pra não escrever meia dúzia de palavrões. Hoje o futebol morreu.
Descanse em paz, futebol.
Foi assassinado pelo apito rosa e a imprensa canalha vendida.
Como palmeirense, gostaria que o Verdão declarasse moratória e se recusasse a disputar campeonatos cujas regras são aplicadas seletivamente. E mandasse a impressinha pra aquele lugar, pois imprensa seletiva, que só enxerga o que quer ver, não merece audiência.

domingo, 15 de novembro de 2009

Vitória da vergonha

E o time pó de arroz dá mais um passo rumo a mais um título ganho na Simon grande. O Vitória não deu nem pro cheiro.

Diferentemente do Sport, que jogou a melhor partida do ano, o Vitória ficou não deu as caras no campo. Em suma, deram uma entregada básica.

O segundo gol do SP foi emblemático. O Viáfora defendeu e largou para dentro dogol. Não ficou nem com as penas na mão.

O ataque perdia a bola e voltava andando. O meio de campo, idem. O SP só não fez mais por pura incompetência.

Em um determinado momento, me surpreendi com uma briga em campo. Pensei que estava enganado ao pensar que o Vitória entregaria o jogo. Mas quem estava se estapeando (bem ao estilo pó de arroz, diga-se) eram jogadores do SP.

Aí tudo voltou a fazer sentido. Era, realmente, um jogo treino, um amistoso. Só quem ainda tentou alguma coisa pelo Vitória foram os dois laterais, que ao menos correram e deram algum combate. O resto do time simplesmente correu pa não chegar na maior parte do empo, e o Viáfora ainda preparou o franguinho com a farofa para os donos da casa, que mais pareciam convidados de honra.

Vergonha maior é o silêncio da impressinha. Nem mesmo chamaram o frango de Viáfora de frango, para não levantar suspeitas. Se você ler o Lance, tudo o que consta é o quanto o “Jason” é “assustador”.

Puro marketing rosa, em um campeonato rosa, com um apito rosa.

E ainda reclamam de terem perdido o mando de campo para jgar contra um time já na segunda divisão, ao qual eles doaram a malinha preta no jogo contra o Verdão.

Por mais um ano, o campeonato brasileiro fica sem campeão. Eu é que não vou considerar o SP campeão nos últimos três anos. O campeão de verdade foi o apito rosa.